Conheça Barbacena

Conheça Barbacena

Barbacena é reconhecida popularmente como “Cidade das Rosas”, por ter sido pioneira na produção deste tipo de flor. Mas como nem tudo são flores, o município ficou conhecido no Brasil inteiro como “Cidade dos loucos”, em virtude dos muitos hospitais psiquiátricos que funcionaram durante anos, tratando de pacientes vindos de outras cidades. O clima da cidade é mais frio, por estar localizada em uma considerável altitude, tendo a temperatura média anual de 17° C. E estima-se que a população está em 126.284 habitantes (IBGE, 2010).

Imagem de parte da cidade de Barbacena
Fonte: Rocha, Wagner
Localização: https://goo.gl/maps/bbuXaeHXnD1S5Yb69

O Campo das Vertentes e o município de Barbacena

A região onde se localiza o município de Barbacena é conhecida como Campo das Vertentes, em função de nele nascerem diversos rios de importância, inclusive alguns que fazem parte de duas grandes bacias hidrográficas nacionais e uma internacional.
A bacia internacional é a do Rio Paraná: na serra de Ouro Branco nascem afluentes do Rio Grande, importante tributário do Paraná. Aí também nascem o Rio das Mortes e o Rio Elvas. As bacias nacionais são as do Paraíba do Sul e a do São Francisco: o Rio Pomba, que nasce próximo à Barbacena, e o Rio Paraibuna, que nasce na Serra de Ibitipoca, são afluentes do Rio Paraíba do Sul; compondo a bacia do Rio São Francisco temos o Rio Paraopeba, que nasce na Serra da Noruega, entre Conselheiro Lafaiete e Carandaí, o Rio Lambari, que nasce na Serra do Tamanduá, em Pedra do Indaiá, e o Rio Pará, que nasce em Desterro.

Praça do Globo
Fonte: Rocha, Wagner
Localização: https://goo.gl/maps/4diwB1ZCjyepFXi47

O nome “Rio das Mortes”

A origem do nome Rio das Mortes é controversa. Existem pelo menos três explicações diferentes para se nomear o curso de água em questão.
A mais tradicional e também mais aceita pela historiografia diz que, quando da ocorrência do Capão da Traição, os corpos dos paulistas assassinados a mando do líder emboaba Manuel Nunes Viana foram atirados no rio para serem levados pela correnteza. A partir daí, o rio ficou conhecido como sendo o local onde ocorreram as mortes dos paulistas, daí o nome Rio das Mortes.
A segunda explicação conhecida diz respeito à violência da correnteza em alguns pontos do rio, que vitimava fatalmente parte dos que tentavam cruzá-lo. Esta explicação tem sua origem na história indígena, pois o nome Rio das Mortes teria sua origem nos povos tribais que viviam às margens dele.
A terceira explicação é a que menos tem crédito, porém existe. De acordo com essa hipótese, em vários pontos ao longo do rio os viajantes levantavam acampamento para descansar. Em um desses pontos de parada, ou ranchos, ocorreu uma tragédia: os tropeiros que armaram suas redes para passar a noite foram encontrados mortos na manhã seguinte, sem nenhuma explicação para o fato, pois os mesmos não apresentavam sinais de ferimentos ou luta corporal. Simplesmente amanheceram mortos! Acredita-se que o local apresentava emanações de gás metano, o que teria provocado a tragédia. Daí o nome Rio das Mortes.
Seja qual for a explicação correta, o rio foi assim batizado.
Em relação à toponímia, convém lembrar que a denominação de um acidente geográfico, forma de relevo, nome de curso d’água, serra ou outro elemento qualquer não pode ser aleatoriamente alterado, ainda mais se o elemento em questão está localizado em uma área pertencente a mais de um município ou estado.

Museu Emeric Marcier
Autor: Prefeitura municipal de Barbacena
Localização: https://goo.gl/maps/QVgyXyZnqEprX5Wa6

Qual é a origem do atual município de Barbacena?

Para responder a essa pergunta temos que retroceder no tempo, iniciando nossa viagem de conhecimento no final do século XVII, quando a maior parte do território brasileiro ainda era uma incógnita, um grande mistério a ser desvendado. A descoberta dos filões auríferos em Minas Gerais, por volta de 1684, produziu enormes transformações nas estruturas internas da colônia e também da metrópole. Com a produção açucareira em crise, era necessário que Portugal conseguisse, o mais rapidamente possível, aumentar as rendas auferidas na sua colônia do Brasil a fim de promover seu desafogo econômico. É neste momento que se descobre o ouro. Os descobridores das minas foram os paulistas, creditando-se a Antônio Rodrigues Arzão, bandeirante vicentino (ou seja, vindo da região de São Vicente) a primazia do feito, na região do atual município de Cataguazes. Rapidamente os paulistas passaram a percorrer todos os caminhos das Minas à procura de novos veios. Mas não só os paulistas… A notícia da descoberta do ouro alastrou-se rapidamente não só pela colônia, mas também pela metrópole. Vindos de várias partes da colônia e também de Portugal, forasteiros (na visão dos paulistas, já que as terras das Minas Gerais pertenciam a Capitania de São Vicente) tomavam conta dos caminhos das Gerais. Todos querendo ouro. Muito ouro. Seja através do garimpo, seja através do comércio. Os paulistas reivindicavam exclusividade na extração do ouro, já que foram seus descobridores. Por isso, desde o início, opuseram-se firmemente à penetração de outros elementos na região aurífera. Não queriam forasteiros competindo com eles. Esses forasteiros ganharam dos paulistas o apelido de emboabas.

Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde está enterrado um dos braços de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes)
Fonte: Autor desconhecido
Localização: https://goo.gl/maps/npF66kPYTiL7jm1Y9

E onde entra Barbacena nessa História?

A maior parte dos historiadores aponta uma pequena aldeia de índios Puris, pertencentes à nação Tupi, como o primeiro núcleo de povoamento existente na região. Tais indígenas ocupavam boa parte do atual Campo das Vertentes, tendo por vizinhos, ao Leste, os índios Coroados, e ao Norte, os índios Carijós. A expansão da atividade mineradora fez com que tais indígenas desaparecessem da região em meados do século XVIII.
Os primeiros a ocuparem a região, após os índios, foram portugueses e paulistas, boa parte deles proveniente da cidade paulista de Taubaté. Tal ocupação está ligada ao processo de abertura do chamado Caminho Novo, nova rota para o escoamento do ouro extraído na região das Minas. O empreendimento ficou a cargo de Garcia Rodrigues Paes Leme, com o auxílio de seu cunhado, o Coronel Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, que já estava estabelecido na fazenda da Borda do Campo. Nas terras pertencentes a fazenda foi criado um Registro (espécie de alfândega) para a cobrança de impostos.
Em 1724 Frei Antônio de Guadalupe, quarto Bispo do Rio de Janeiro, criou a freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, localizada na capela da fazenda da Borda do Campo. Em 1730 ocorreu a transferência para a atual Igreja Matriz, que teve suas obras concluídas apenas em 1764, embora nela ocorressem cultos desde 1748.
No dia 14 de agosto de 1791 o então Arraial da Igreja Nova da Borda do Campo foi elevado à categoria de Vila pelo governador da Capitania, Dom Luís Antônio Furtado de Mendonça, o Visconde de Barbacena. A adoção do nome Barbacena foi uma forma de se agradar o governador, que havia reprimido duramente a Conjuração Mineira de 1789, que contou com a participação de diversos moradores do Arraial.
Durante a Regência do Príncipe Dom Pedro (1821/1822) Barbacena foi protagonista de outro evento histórico significativo. A crise entre Dom Pedro e o governo revolucionário instalado em Portugal em 1820 ameaçava a estabilidade política da colônia. Havia o risco até mesmo de um ataque militar ao Rio de Janeiro. Então, em ofício datado de 11 de fevereiro de 1822, os barbacenenses se ofereceram para pegar em armas na defesa do Príncipe Dom Pedro, bem como sugeriram a transferência da capital da colônia do Rio de Janeiro para Barbacena. Agradecido pelo apoio recebido, Dom Pedro, em decreto datado de 23 de fevereiro de 1823, concedeu o título de “Mui Nobre e Leal” para a Vila de Barbacena. Tal honraria foi ratificada pelo Alvará de 17 de março do mesmo ano (1823).
No dia 9 de março de 1840 a Mui Nobre e Leal Vila de Barbacena foi finalmente elevada à categoria de Município, através de uma lei provincial. Ou seja, os 179 anos do município foram comemorados agora, em 2019.
Já em 1842 Barbacena foi palco da chamada Revolução Liberal, motivada pelas chamadas “Eleições do Cacete”, marcadas por fraudes e abusos tanto do lado do Partido Liberal quanto do Partido Conservador. Seu principal líder foi o Coronel Ferreira Armond. O sobrado histórico onde se localiza a Câmara Municipal de Barbacena é chamado oficialmente de Palácio da Revolução Liberal.
Outro fato significativo se deu em 1903, com a fundação do Hospital Colônia de Barbacena, que em pouco tempo tornou-se referência nacional no campo da Psiquiatria. Porém, rapidamente o Hospital Colônia se transformou em um verdadeiro inferno para seus pacientes. Com capacidade inicial de 200 leitos, chegou a abrigar mais de 5.000 internos, sendo que a maioria não apresentava qualquer distúrbio mental. Os pacientes chegavam em trens abarrotados: daí a expressão “trem de doido” existente em Minas Gerais. Eram pessoas que não se enquadravam nos padrões vigentes na época, como mulheres independentes, prostitutas, homossexuais, amantes de políticos, desajustados familiares. Forçados a trabalhar, andando total ou parcialmente nus, bebendo água de um esgoto a céu aberto e sendo vítimas de torturas físicas e psicológicas, cerca de 60 mil morreram até a década de 1980, sendo que parte das vítimas teve seus corpos vendidos para faculdades de medicina de todo o Brasil.
O Hospital Colônia só foi fechado na década de 1990, funcionando hoje no local o Museu da Loucura. Cabe ressaltar que pacientes de baixa sobrevida e de situação de baixa renda, em número aproximado de 190, ainda residem no local. Uma das atrações turísticas da cidade é o Festival da Loucura.

Escola Agrotécnica Federal de Barbacena – EAFB

Através do Decreto de número 8.358, de 9 de novembro de 1910, assinado pelo presidente Nilo Peçanha, foi criado o então denominado Aprendizado Agrícola de Barbacena, mais tarde chamado de Escola Agrotécnica Diaulas Abreu. Suas atividades foram iniciadas em 14 de junho de 1913.

Museu Diaulas Abreu do IF Sudeste de Minas Gerais- Campus Barbacena
Fonte: Ferreira, Robson
Localização: https://goo.gl/maps/zHZWtCzmX4xAWqVC8

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada deveria ter sido o candidato do presidente Washington Luís nas eleições de 1930. Deveria. Em função da crise de 1929, que derrubou o preço do café no mercado internacional, o indicado foi o cafeicultor paulista Júlio Prestes. Por conta disso, Minas se aliou a Vargas nas eleições e, na sequência, apoiou a Revolução de 1930 que levou Vargas ao poder. Antônio Carlos era de Barbacena.
Já em 1943, opondo-se à ditadura de Vargas, um grupo de intelectuais mineiros lançou um manifesto pela democracia, impresso clandestinamente em Barbacena, na gráfica do antigo jornal Cidade de Barbacena. Num primeiro momento imprimiram-se 50 mil exemplares do manifesto, distribuídos de mão em mão ou jogados por baixo das portas das residências, em função da censura imposta pelo governo. Foi a primeira manifestação aberta contra a ditadura do Estado Novo, assinada por indivíduos que pertenciam a famílias de grande tradição social e política em Minas Gerais. Em 1964 a elite barbacenense apoiou o golpe militar que deu início a ditadura militar brasileira.
Como se vê, essa terra tem História!

Marco Antonio Bueno Bello (Jiló)

Igreja Nossa Senhora da Piedade
Fonte: Silva, David Bento
Localização: https://goo.gl/maps/EHR53hzN9QVt4DE96

O primeiro e mais famoso hospício de Minas Gerais foi o Hospital Colônia, hoje transformado em uma instituição humanizada e mantida pelo Governo de Minas Gerais, o Centro Hospitalar Psiquiátrico, que abriga um museu que relata o passado e o presente da psiquiatria. Este hospital foi objeto de um livro e documentário intitulado “Holocausto Brasileiro”.

Museu da loucura, localizado na Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais
Fonte: ACS/Fhemig
Localização: https://goo.gl/maps/VJHzupUJGeZkYP8B7

Barbacena é palco de belíssimos cenários, lugares estes, interessantes para se conhecer, serão apresentados a seguir:

Pontilhão Dom Pedro II
Fonte: Autor desconhecido
Localização: https://goo.gl/maps/QrzBJq1pTz93reEp7
Igreja de Nossa Senhora da Assunção ou Igreja da Boa Morte
Fonte: Gesi
Localização: https://goo.gl/maps/yYwHd5NpF7xjyxoX8
Basílica São José Operário
Fonte: Victor
Localização: https://goo.gl/maps/hfw8FeBXLDRFjBSQ9
Igreja São Miguel Arcanjo, foi reproduzida de uma igreja italiana
Fonte: Franca, Muniz
Localização: https://goo.gl/maps/8xBEuTCTQXxLoPJG9
Lagoa Azul
Fonte: Soares, Felipe Souza  
Localização: https://goo.gl/maps/2KGw3bvdKXHmiQucA
Biblioteca Pública Municipal Honório Armond ou Casa da Cultura
Fonte: Autor desconhecido
Localização: https://goo.gl/maps/zoDAgs9JvFV6c7MMA
Museu Municipal de Barbacena
Fonte: Gomes, Arthur Raposo
Localização: https://goo.gl/maps/zRRMkuskduthBjsq7
Bituca- Universidade de Música Popular
Fonte: Autor desconhecido
Localização: https://goo.gl/maps/JHUnzvWdBpBkfQG29
Estação Ferroviária
Autor: Rocha, GD
Localização: https://goo.gl/maps/wufTYQzToeQD1uDS6
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR)
Fonte: FAnPage Oficial EPCAR
Localização: https://goo.gl/maps/jAh5Aq6RsaRyWUL19
Praça dos Andradas
Fonte: Leonardo
Localização: https://goo.gl/maps/BPVL3PCaon7uvxWX7